segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Deriva - pensamentos a vulso

O espelho só nos devolve a imagem do que está fora, das aparências, da superfície, da máscara. (Quase) Todos usamos máscaras, a vulnerabilidade que se encontra por detrás é uma incógnita para os demais.

Tenho imenso medo de mostrar a minha vulnerabilidade, que sou muito fraco quando comparado com pessoas com problemas e histórias muitíssimo mais complicadas que eu. Penso numa querida amiga que faz poucas semanas escapou por pouco à morte e sinto-me imensamente culpado por olhar para o meu umbigo e pensar que tenho grandes problemas. Sinto-me aliviado que ela já está em casa, está a recuperar bem e eu quero dar-lhe um abraço. Sinto-me feliz a ver amigos que encontraram a felicidade e que este ano lhes trouxe mais alegrias. Sinto-me culpado por achar que 'só' lhes dizer que estou bem, tenho trabalho e dinheiro para me sustentar é pouco. Não é, é muito bom eu sei. 

Gosto mais de algumas pessoas do que posso e devo dizer, do que consigo e sei demonstrar, fico nervoso, digo idiotices, não consigo ficar em silêncio, busco reacções de forma palerma, sou um palerma.

O estar quieto, calado, só por vezes é, como me disseram, "estar à espera...". A espera por alguém que pode nunca vir é por si só parva, inútil. O tempo passa, não há ninguém à minha espera para ir, para ver, para ir conhecer. Preciso mitigar ou acabar com essas ideias vãs. 

É quando alguém nos diz cara a cara que nos estamos a desintegrar aos poucos, que nos estamos a destruir lentamente que percebemos que estamos à deriva, esperando por algo, desejando algo, perdendo fé, estou à deriva...

Quero ser melhor, tento sempre ser melhor, quero poder estar 'lá' caso precisem de mim, quero ter sempre um sorriso para dar :)


Esqueço-me tantas vezes desta banda e não devia...



17 comentários:

  1. Pelo que leio, estás lá sempre que podes e sorris sempre e apoias e dás-te, fazes tudo isto. Talvez sem te dares conta, mas que o fazes, fazes :)

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    1. Obrigado :) Dás-te conta de coisas que eu não tenho bem noção, sou um bocado destrambelhado mas tento.

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  2. tu nao és fraco.. tu és humano.. logo cometes erros, ou falsos passos, ou qdo te "comparas" a alguem pensas que os teus problemas nao sao assim tao importantes..
    mas isso nao significa que és "igoista".. nota-se que te preocupas com os outros, mas cd um tem a sua forma de demonstrar isso..entao
    nao digas que nao es nada.. nao digas que nao fazes nada... porque isso nao é verdade.....
    para sabermos o quanto avançamos ou o quanto somos, temos que olhar para o passado, e nao reflectir...
    agora olha para o teu passado e diz me.....
    quantas vezes fizes te alguem sorrir..
    quantas vezes ajudas-te alguem..
    quantas vezes conseguis-te dar a volta por cima de situacoes que no momento pareciam dificeis...
    quanto aprendes-te ao longo dos anos..
    .....
    agora ainda pensas que nao es nada?? ou que nao fizes-te nada??

    ps: desculpa o testamento!! :)

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    1. Obrigado pelo comentário, não te preocupes com o testamento ;)

      Sinceramente eu não sei, não vou ser 'juiz' das minhas acções porque não sei se realmente fiz alguma diferença mas também não devo 'capitalizar' nisso. Eu não espero que me paguem de volta, não faço o que puder só para que façam algo por mim. Sei que sou um bocado egoísta mas tento não ser.

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    2. acredita que fizes-te diferença!! boa ou mà.. nao sei... mas fizes-te..
      na tua frase estas a ser contraditorio.. disses que és egoista... mas antes tinhas dito que nao esperas que te paguem de volta (logo nao es egoista)..mas percebi o que queres dizer... mas egoista tds somos.. afinal somos humanos..
      mas anima-te a vida é so dois dias ;)

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    3. Indiferente acho que não fui mas lá está, para o bem ou para o mal não sei.

      A vida são só dois dias mas devemos pensar um pouco no que somos e fazemos :)

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  3. tens razao.. tb temos que pensar no que somos...
    mas acredita em mim (que penso demasiado), por vezes pensar a mais destroi mais do que ajuda... por vezes enfrentar os medos, os problemas, as inseguranças pouco a pouco ajuda mais..
    mas n deixas de ter razao tb devemos refletir .. ;)

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  4. Eu acredito que existem sempre alguém pior que eu, não que isso me conforte, pelo contrário, mas faz-me ver que o que estou a viver é passageiro e que vou conseguir ultrapassar.
    Já dizia a minha avó, há remédio para tudo, menos para a morte...
    Beijinhos meu menino

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    1. Para a morte e para os impostos...

      Eu sei que posso ser uma enorme confusão mas há uns quantos indivíduos que se calhar são um bocado piores, não me conforta nem me desculpa o que quer que seja, mas que os há...

      Beijos menina :)

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    2. Não é bem assim, há muito boa gente que não paga impostos :P

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    3. Mas que eles estão lá, estão e se não fores muito hábil eles caçam-te :P

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  5. PM, sermos a pessoa mais importante da nossa vida não é sermos egoístas.
    Depois, a vulnerabilidade e a fragilidade não fazem de nós necessariamente pessoas mais fracas. Muitas vezes é sinónimo de maturidade, já que se assume o lado considerado menos forte.

    A vulnerabilidade, na medida em que tu aqui a equacionaste, encanta-me. Creio que isso não é novidade. Gosto especialmente do lado emocional, menos preto no branco, triste e a apanhar-se aos bocados, das pessoas que são igualmente bem centradas e determinadas. Um lado não exclui o outro.

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    1. Eu sei que sou egoísta e por vezes esse egoísmo não é fundado em 'olhar só para o meu umbigo', são outras coisas, coisas que eu tenho de ir tentando resolver comigo próprio.

      Não gosto de me sentir frágil ou vulnerável, isso tende a trazer o pior de mim ao de cima. A insegurança, os medos e os receios fazem o resto.

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  6. Não te sintas mal por às vezes não conseguires demonstrar esse teu lado que tu consideras menos bom.
    Dizes que quem precisa de ti, tu queres estar presente com um sorriso e para isso tentas melhorar como pessoa, isso é ser humano e inteligente. Tens a tua própria personalidade todos sabemos que nada é fácil, nem para aqueles que se sentem iluminados.

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    1. Por vezes é preciso alguém nos dar um 'reality check' para nos apercebermos que há coisas mal connosco, muitas ou poucas isso não interessa agora, e eu não consigo de me deixar de sentir mal com isso. Sabes, é como se tivesse desiludido as pessoas que se preocupam nem que seja um bocadinho comigo.

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  7. Patrulha da Neve, gosto muntu. <3

    Quanto à vulnerabilidade... Pá, eu ando meio drunfado e em terapia pela 3ª vez porque no espaço de uma semana ia desfalecendo na fila da loja da Meo, tive cocó amarelo e cólicas, soube que o meu pai ia ser operado daí a 4 dias e marcaram-me uma reunião importante de véspera noutra cidade. Há quem passe por pior? Há sim. Mas coiso, fui-m'abaixo brutalmente e ainda não me levantei todo.

    Não querendo entrar em discussões de papéis de género, essa merda vitoriana e macho-latina de que um homem não chora e não pode ser vulnerável é um grande pedaço de cocó (amarelo). Um homem chora, foge, grita, tem medos e ansiedades e fraquezas. É fácil admiti-lo? Não, mas também não é fácil viver com isso e fingir que está tudo bem.

    Dito isto, toma mimos. :***

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    1. Oh, sério? Oh caraças, e não me dizes nada?! Também sou um amigo de merda, nunca mais falei contigo :(
      Sim há pior mas com as tuas dores aguentas tu e uma pessoa também tem o direito de se ir abaixo. Tem calma, tu já estiveste um bocado em baixo e levantaste-te.

      Liga-me se quiseres senão para a semana estou aí, marca jantar num sítio fofo!

      Toma mimos e um xi :*****


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