terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Já passou...

O Natal já passou, ainda bem. Natal triste, muito triste, negro, frio como a morte, frio de morte... Parte da minha história partiu.

Natal triste, Natal negro e o pragmatismo de uma criança: "Agora é preciso uma foto da avó ao lado da do avô no cemitério..."

sábado, 20 de dezembro de 2014

Época de festas e preocupação

Daqui a dias vou para casa, a casa onde cresci e estão quase todos os meus. Quero que os dias passem mas estou com uma estranha sensação de não querer ir e isto faz-me sentir mal. A matriarca da família está no hospital, a minha segunda mãe, uma das pessoas que me criou e o mais provável é que lá passe o Natal. Já passei por isto antes e é uma merda, não há outra palavra, é uma merda...

Quero que o dia venha rápido, que o avião voe rápido, quero lá saber de prendas, não comprei nada ainda e nem quero saber se alguém tem qualquer intenção de me dar algo, é a última coisa que me passa pela cabeça.

A velhice pode ser penosa, infelizmente...

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

O corpo não se esquece (outro capítulo)

Subo as escadas para ir à cozinha buscar alguma coisa para comer, doem-me as pernas, dores musculares de quem andou a puxar pelo corpo no ginásio e vou barafustando mentalmente "pois é, andas a fazer agachamentos para ver se metes esse bufunfo mais rijo e depois caminhas como se tivesses as virilhas assadas..." Vou-me rindo de mim próprio e depressa o pensamento resvalada para outro momento no passado em que as pernas ficaram doridas e as canelas como um jogador da bola que se fartou de apanhar porrada num jogo.

"Ahhh fodasse...foi tão bom, pelo mesmo motivo andava todos os dias dorido" pensava eu, as memórias daquela tarde/noite/manhã de verdadeira luta corpo a corpo em que o objectivo não era ganhar nenhuma guerra mas batalhar sempre em prol do próximo orgasmo, um atrás do outro, um mais rápido, outro mais prolongado, outro quase arrancado a ferros (e quase arrancando os ferros da cama diga-se em abono da verdade) no culminar de uma monumental foda (estou a citá-la mas eu concordo a 100%)!

Li algures num blog uma moça a "queixar-se", num misto de gabarolice de quem andou na loucura descontrolada e 'ai-tou-tão-satisfeitinha-que-quero-partilhar-com-vocês-todos', que o sexo fere. Já o tinha comprovado no passado com quando quase parti um pé a uma moça e noutra ocasião esfolei um joelho num sofá. Mas estas minhas dores 'sabiam' de forma diferente, evocavam de um prazer cru, selvagem, quase primário.
(se a autora da frase se reconhecer aqui que não fique chateada porque não a estou a criticar, quanto muito é inveja minha, brincadeira, ok? ;))

As dores iam dando sinal a cada passo e descer as escadas foi motivo para novo momento de "ai, ui, fodasse que ou estou velho ou hoje abusei".

Abusar...foi realmente um abuso aquelas horas todas de corpos encaixados, suados, em batalha. O calor que emanava de nós era impressionante. A água que havia não chegava para nos saciar a sede.

A cada passo até ao quarto lá ia eu com um sorriso na cara a recordar momentos, detalhes, palavras ditas no calor do momento, o modo como lhe agarrei nos cabelos, as pernas entrelaçadas a prender-me, a fazer planos do que vou fazer se houver próxima...

Um reencontro que começou como se fosse a primeira vez que nos víamos, rapidamente passou evoluiu para o estado de cumplicidade e conhecimento do corpo um do outro que só a cuidada exploração do corpo e experimentação permitem.  

Foram horas e horas de prazer. Sem objectivos de maratonista mas com vontade de aproveitar todos os minutos disponíveis, fodemos! Fodemos muito, fodemos bem, fodemos até a cama sair do sítio, fodemos até encharcar lençóis e almofadas, fodemos ao teu, ao meu e ao nosso gosto, fodemos quase como se a nossa vida dependesse de um de nós se vir ou não...

O corpo ficou dorido e doeu nos dias a seguir, mas uma dor boa, muito boa. Mandei-lhe uma foto a mostrar como me tinha deixado um braço negro, a resposta foi deliciosa "É uma queixa?! Tu bem que gostaste e isto só prova que queres repetir, queres mais!"

Quero mais, sim, porque quando é tão bom...há que pedir bis!