terça-feira, 3 de setembro de 2013

Reflexões de viagem

Há muito tempo que faço isto de forma involuntária. Vou no comboio, carro, avião, autocarro, metro, etc. e a minha mente divaga à medida que o tempo vai passando e vou observando as pessoas pelos países por onde vou vivendo.

A minha vida não é propriamente linear, não é constante, não é o ideal apesar de eu ter que me sentir um sortudo pelas oportunidades que fui tendo, à custa de muito esforço, trabalho e algum sofrimento.

Os problemas na minha vida profissional sempre ajudaram a minimizar e mitigar o vazio que sinto no lado mais pessoal e amoroso. Sempre me fez relegar isso para segundo plano, primeiro do que tudo tinha de garantir que pagava as minhas contas e que tinha para comer. O ter este lado mais ou menos resolvido (temporariamente) e estável liberta-me tempo para o cérebro começar a pensar demasiado e fazer estragos.

Nas minhas viagens por Bruxelas tenho pensado muito no futuro, no meu futuro enquanto pessoa, na minha desgraçada vida pessoal. Se há muito tempo que aceitei e estou em paz com o facto de que muito provavelmente viverei sempre e morrerei sozinho, inquieta-me não ter outra opção. É diferente ser-se solitário por opção e ser-se por condição.

Ao ver as pessoas na rua, no metro ou no autocarro não escondo que tenho uma certa inveja. É verdade que nunca tive o que muitas dessas pessoas têm, que nunca tive ninguém em casa à minha espera e que algumas pessoas acham estranho eu sentir falta disso uma vez que nunca o tive. Não invalida de me causar alguma tristeza por nunca me ter sido dada essa oportunidade. 

A vida que não também não ajuda nada. 6 meses num país, um ano noutro, 3 meses noutro e por aí fora. A vida de expatriado é gira, eu gosto, mas começo a ficar um bocado cansado de ser um nómada...
 

11 comentários:

  1. Respostas
    1. Não sei sinceramente...só me tem trazido problemas até hoje em dia. Se ao menos também se apaixonassem por mim...

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  2. Leva me contigo nas tuas viagens que eu espero te em casa ;)

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  3. Leva me contigo nas tuas viagens que eu espero te em casa ;)

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  4. Ia escrever bastante mas resume-se a isto: tens que assentar! ;)
    Não é fácil começar uma relação ou mesmo uma amizade a pular de sítio em sítio.
    Nem tudo é mau, tens conhecido novos países, novas realidades, novas culturas, comidas, pessoas... :)
    Aproveita bem essa parte e desfruta de todos os segundos da tua nova realidade. O que tiver que acontecer, acontece!
    Beijinhos*

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    1. Sim, estar fixado num sítio a viver é o princípio para a construção de relações duradouras. Isto da distância, de andar sempre de um lado para o outro, digam o que disserem, desgasta e pode matar tudo.

      É verdade que tenho conhecido novas realidades, novos hábitos culturais, algumas pessoas mas...trocava metade disso tudo...

      Essa do que tiver que acontecer acontece não me diz muito, não partilho muito do espírito.

      Beijos!

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    2. ahah Ultimamente também não partilho muito dessa frase, mas com os outros funciona! lol

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  5. Sabes, a ideia que tens do que é viver com alguém é certa (no início é tudo como imaginas), mas depois, quando se instala a rotina e a maior parte das pessoas não sabe, não tem vontade de alterar a rotina, acaba por dar mais valor ao tipo de vida que tens, pela liberdade, por seres dono do teu tempo e por seres senhor do teu espaço. Pensa nesta perspectiva. E desculpa a invasão.

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    1. Invade à vontade, aqui não se discrimina ninguém ;)

      A rotina acaba por ser inevitável em certos aspectos da nossa vida quotidiana. É assim mesmo que as coisas são, o mau é deixar-mo-nos levar e ficarmos acomodados. Eu acho que o mesmo se aplica às relações. Nunca tive nenhuma mas observo os outros e tiro notas mentais do que fazer e não fazer.
      Gosto da minha liberdade, do tempo que posso gerir como quero mas há dias em que fica aquele pequeno vazio de não ter com quem partilhar e de não me apetecer fazer algumas coisas sozinho...

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  6. Sim e concordo, o que queria dizer é que há muitas coisas positivas também. Até porque hoje em dia as relações duram o que duram e fazem sofrer e depois duram o que duram e fazem sofrer, e por aí fora.

    E não sei ainda se há relações que duram e duram e duram e não fazem sofrer, mais do que quando se está só e se tem um namorico aqui e outro ali.

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