domingo, 26 de maio de 2013

Sempre com as malas feitas

Há dias o telefone do escritório tocou. Era uma amiga/colega de estágio também Portuguesa. Queria combinar como era uma ida ao cinema com outra amiga para irmos ver um filme sobre a emigração Portuguesa, a Gaiola Dourada que aconselho vivamente.

A primeira frase que ela me disse foi muito rápida mas deixou-me a pensar um bocado na minha maneira de ser e de como me tornei. A frase de início de conversa foi algo como isto: "Fogo pah...tu só me desprezas, tenho que ser eu sempre a ligar-te para alguma coisa."

Não é de propósito, juro. Não quero eu ou tenho motivos para fazer tal coisa. Nem com ela nem com ninguém. Fui-me tornando assim, um pouco à espera que os outros me falem, venham ter comigo em vez de eu ir ter com eles. Detesto sentir que estou a incomodar ou a mais na vida das pessoas, se calhar por vezes é paranóia minha se calhar às vezes é verdade.

Acho que isto poderá ser de certo modo um mecanismo de defesa. 

Tenho tido uma vida de nómada e pelos sítios onde vou passando deixo pessoas de quem gosto mas a verdade é que, mea culpa, não tenho feito tudo por manter contacto com elas e quando estou nos sítios e sei que dali a meses me vou embora, de forma quase inconsciente vou deixando de fazer por manter contacto com essas pessoas. Custa-me cada vez mais deixar as pessoas de quem gosto porque, infelizmente, não vou tendo possibilidades de as ir visitando. A crise e outras questões pessoais pesam muito. Pode soar a desculpa porque há Skype, Facebook, email, etc mas nem toda a gente lhes liga e não há nada que substitua o contacto pessoal.

Há anos que não sei onde vou conseguir estar no espaço de 6 meses, estou sempre com as malas prontas, a cabeça não sossega, há sempre um peso no coração por ter que estar sempre pronto a partir. 

A mudança é boa, mas eu gostava de deixar de ter por uns tempos esta sensação de estar constantemente de malas feitas, de ter que partir. 


A mala está a ser preparada, em breve será tempo de partir quase de certeza...


7 comentários:

  1. Entendo perfeitamente o que dizes porque também sou assim. Embora tenha criado raízes que me prendem e não vida a vida de malas feitas, não gosto de me impor, respeito a liberdade dos outros e por vezes pareço desprendida e até distante ou desinteressada.
    Aprendi com a vida que as pessoas que realmente me conhecem me entendem e sabem o que sinto, na verdade não é preciso estar sempre a trocar galhardetes para que as pessoas realmente importantes saibam que estamos sempre disponíveis para elas.
    Não podemos lutar contra nós, apenas aceitarmo-nos tal como somos e procurar viver em Paz connosco.

    Beijo *Estrela*do*

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    1. Concordo e sinto o mesmo, não é preciso estar sempre a trocar galhardetes, mas também gostava de não ter as malas sempre feitas no sentido literal e figurado da expressão.

      Beijos

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  2. Agora revi-me no teu texto, principalmente quando dizes que esperas sempre que sejam os outros a tomar a iniciativa e que é um mecanismo de defesa que não controlamos. Sinto-me assim, e o problema é que não consigo mudar... bem tento, mas volta tudo ao mesmo.
    Beijinhos PM :)

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    1. Também me revi no texto...

      Sei o porquê de ter mudado nesse aspecto... Antes era sempre eu a convidar e a planear tudo e agora? Fartei-me!

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    2. Às vezes as coisas podem ter explicações e é como eu disse, isto de ter que estar sempre pronto a abalar para outro destino faz-me ir tentando desapegar das pessoas para não custar tanto.

      Beijos

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  3. Eu percebo mas acho que fechar-mo-nos aos outros não é bom. Gosto de tomar a iniciativa nos convites, mas gosto de ser convidada. Porque se esperarmos sempre tudo dos outros as portas vão-se fechando e podemos conhecer meio Mundo mas dessa forma podemos por acabar mais sózinhos ainda. A solidão é necessária, mas não deve ser ,quanto a mim alimentada indefinidamente.
    Vá, é sempre possivel mudar desde que seja essa a forma de nos sentirmos melhor com os outros e essencialmente connosco próprios.
    E quando for a partida que deixes saudades e boas amizades é bom sinal!.
    Boa semana!
    Beijinhos

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    1. Não é bem fechar, é ir desligando para custar menos. A instabilidade não é muito boa para as relações durarem e crescerem. Esta vida de nómada tem o seu lado menos bom. Espero deixar algo de bom em alguém pelo menos.

      Boa semana, beijos

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