domingo, 9 de dezembro de 2012

Não saber a sorte que se tem

As pessoas só dão valor às coisas quando as perdem. É um velho chavão mas carregado de verdade. Eu acrescentaria que nem quando perdem algumas pessoas dão o devido valor ao que perderam.

Eu nunca fui ingrato. Nunca tomei ninguém por garantida. Falho como toda a gente mas acho que sempre valorizei quem gosta de mim e guardo no coração algumas pessoas especiais.

Há pessoas que não imaginam o quanto gosto delas. Outras que não imaginam o quão importantes foram e o grande carinho e estima que tenho por elas. Tenho alguma dificuldade em colocar todos estes sentimentos por palavras ou em os verbalizar mas isso não quer dizer que me olhando nos olhos não se perceba isso.

Aprender a ser humilde custa e por isso eu quase me sinto em dívida a quem me faz bem e se lembra de mim por algum motivo.

Eu não consigo perceber como é que certas pessoas tratam tão mal quem têm ao lado. Que raio de prazer perverso, quase sádico, é que têm em falar de fraca cara, com maus modos e de modo agressivo com a pessoa que está ao seu lado e que supostamente os/as ama?

Tenho um casal amigo que durante muito tempo eram intratáveis um com o outro. Sempre de má cara um para o outro, sempre chateados, não havia vez que não saíssemos que não houvesse uma cena qualquer ou algum não aparecia porque estava chateado, etc.

Eram o caso paradigmático do casal que não se percebe porque é que continuavam juntos.

Aquilo irritava-me e deixava-me indignado. Como é que aquilo era possível? Mas eles gostavam um do outro sequer? Como era possível ser-se tão estúpido e idiota ao mesmo tempo?!

Eu ficava incrédulo perante aquilo. Felizmente eles melhoram muito a relação deles e hoje em dia portam-se como dois adultos sensatos.

Os meus amigos são apenas um exemplo dos muitos casais que se calhar não o deviam ser ou que precisam de crescer e fazerem-se gente.

Não sabem a sorte que têm! Ter alguém ao lado que goste de nós, esteja apaixonada/o e nos ame é precioso.

Não é nada bonito mas durante muito tempo desejei que essas pessoas estivessem um bom tempo no meu lugar a ver se começavam a dar valor às pessoas. Se estivessem sozinhas/os provavelmente iriam a prender a dar algum valor ao que têm.

8 comentários:

  1. Tenho um casal de amigos como descreves, incomodam-se não só um ao outro como a quem está com eles, depois de algumas conversas cheguei à conclusão que são dois covardes que só continuam juntos porque receiam ficar sós.
    Não é o tão falado aspecto económico que lhes dificulta a vida, tanto um como o outro não se podem queixar.
    Apesar de tudo são excelentes pessoas, desde que não estejam juntos...

    P.S. És qual Marcelo... aos Domingos é dia de escrita.

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    1. Essa cobardia é algo que me tira do sério, gente que não acaba com essas situações só porque não quer ficar sozinho é triste.

      P.S. - essa do Marcelo é boa :P

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  2. Acredito que também é necessário saber-se estar só para se dar valor a estar acompanhado. Acho que saber valorizar o que se têm e fazer o possível para se mudar o que nos desconforta talvez seja o ponto de equilibrio. Casais que estão juntos para combater a solidão como relatas e não por questões económicas, até me custa a perceber,porque não deve haver pior solidão do que essa acompanhada. Mas enfim todos nós conhecemos casos que fogem à nossa percepção. Eles lá sabem..

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    1. O problema é que sabem e não querem ver.

      Saber-se estar só é essencial porque só assim se consegue viver acompanhado.

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    1. Também concordo. Há por aí muitos casais que parecem quase "perfeitos" mas depois por trás, de perfeição não têm nada!!!

      Mais vale não termos "inveja" (daquela positiva) por ninguém, porque nem tudo parece o que é e olha que sei bem do que falo.

      Já me aconteceu pensar: "Uau, que sortuda aquela gaja" e depois vir a saber que o tal rapaz andava enrolado com outras às escondidas!!

      Portanto, mais vale esperar que num belo dia apareça a tal pessoa! ;)

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    2. Então se não é sorte é o quê? Acho que também é sorte, mas é só a minha opinião.

      MaR, há muita gente assim como dizes. Uma fachada completa, um fingimento que eu não entendo. concordo que mais vale esperar do que andar a levar com filmes como os que descreveste.

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    3. Depende... Temos que colocar na balança e ver para onde ela pesa mais... ;)

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