quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Palavra nunca dita

Já revelei tanto de mim neste espaço. Muitas coisas nunca as disse a ninguém a não ser aqui. Algumas coisas as pessoas que me são mais próximas imaginam o que eu aqui escrevo, os temas, as opiniões, as palavras. Ora, foi para isto mesmo que eu criei isto.

Há coisas que eu nunca disse a ninguém porque não sou se banalizar palavras e sentimentos. Há palavras e sentimentos que não devem ser gratuitos, dados e ditos por dá cá aquela palha, só porque sim. As coisas acabam por perder significado.

Eu refiro-me especificamente ao amor. Ao que eu vejo e ouço por aí há gente que diz ‘amo-te’ com a mesma facilidade e rapidez de quem diz “Tenho sede”, “Tenho fome”, “Está frio” e por aí fora.

Mesmo depois de anos e anos a ouvir estas ladaínhas ainda fico um bocado ‘incomodado’ com este uso gratuito de uma palavra que significa tanto e que é, ou pelo menos deveria ser, tão forte. Às vezes o que me dá vontade é dizer a algumas pessoas: “Eh pah, mas tu lá sabes o que é amor. Conhecem-se há meia dúzia de dias e já é o amor da tua vida?!”

Acho que há gente que vê demasiados filmes e novelas sem ter a noção de que aquilo é ficção.

Se as pessoas realmente sentem as coisas, se acreditam nos seus sentimentos e nos da outra pessoa não me choca que o digam. Dizerem-no por piedade ou para enganar a outra pessoa…isso já acho profundamente triste.

Lembro-me que há uma música dos Da Weasel que tem uma frase que exemplifica bem aquilo que quero dizer, se não estou em erro é: “[…] a razão da palavra consagrada que tanta gente dá à toa em troca de quase nada […]”.

Já lá diz o outro que não há almoços grátis e eu acho que há outras coisas que não devem ser gratuitas. Devem ser merecidas, ter uma razão, um propósito sob o risco de se tornar tão corriqueiro e vulgar que já não representa nada quando é dito.



P.S. – ainda por aí uma música brasileira que só me dá para rir mas que tem uma letra engraçada, acho que é qualquer coisa como [agora com sotaque brasileiro]: “amor é amo, romance é romance, traição é traição e um lance é um lance”. Lá está, estes gajos é que a sabem toda.

13 comentários:

  1. Tens toda a razão.. E tb já pensei neste assunto "n" vezes!
    A palavra "amo-te" está banalizada...

    Eu já não a uso há 2 anos e meio... E não me parece que vá ser fácil utilizá-la assim da noite para o dia.

    Adoro músicas brasileiras! São sentidas... Elas sabem-na toda. ahah :D

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    1. Fácil não deveria ser mas muita gente usa com uma certa leviandade.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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    1. Peço desculpa por apagar mas era intimo demais :)

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    2. Não tem mal, as palavras são tuas e fazes com elas o que quiseres. Eu tenho no mail, no worries ;)

      Eu percebi a 'sensibilidade' do assunto e porque queres preservar.

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    3. É o que dá ler assuntos íntimos dos outros, escrevo mais do que devo.

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    4. Isso do dever ou não já fica ao teu critério no entanto acho que não tem mal. Estamos "protegidos" pelos nossos pseudónimos a menos que já os tenhamos partilhado com alguém. Não sei se alguma das pessoas que conheço pessoalmente lê este blog, duvido mas não é impossível, no entanto aqui sinto-me relativamente à vontade para falar de assuntos mais íntimos mas compreendo perfeitamente quem prefere resguardar-se.

      Eu gosto muito que comentes o que escrevo e sinceramente fico sempre à espera da tua opinião. Em todo o caso, e já o disse antes, o meu mail é público ;)

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  3. Para dizer a verdade a palavra amor é tão tão intensa para ser dita da forma que deveria imprimir por quem a pronuncia e para o que se refere , que devia ser bem guardada para ser dita num momento muito especial quando todos os gestos e palavras já a tivessem complementado. Mas não, nesta sociedade do descartável até as palavras perderam a sua beleza, porque banalizadas e ás vezes até ficam despidas do verdadeiro sentido. :(

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  4. Ui... este tema... tenho lá uns quantos posts nos rascunhos, há uma data de tempo, sobre o assunto e não consigo publicá-los...

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    1. Eu pensei bastante se devia escrever ou não porque estou aqui a revelar uma coisas que ninguém sabia até eu colocar aqui. Se não te sentes à vontade vai deixando de lado mas eu sou adepto de dizer as coisas, deitar cá para fora.

      Não publicas porque não te queres expor ou achas que magoas alguém?

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    2. Não sei bem explicar por que raio não publico aquilo. Acredito que seja um pouco das duas razões que apontas. Mesmo se as pessoas à minha volta não sabem do meu blogue, há sempre aquele receio...

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