sábado, 3 de novembro de 2012

Cartas

Já lá diz a cantiga que “cartas de amor quem as não tem”, ora eu não tenho. Nunca tive uma verdadeira carta de amor. Mas gostava muito de ter.

Nunca recebi uma carta apaixonada, uma carta em que se dizem as maiores lamechices, se fazem juras de amor eterno, se descreve o quanto de gosta da pessoa, se fazem planos para os dois, um papel perfumado, uma marca de batom, em se revela o desejo de gritar ao mundo o amor que nos invade e como nunca houve amor como aquele.


Gostava de ter recebido. Acho que uma carta enviada a alguém e escrita pelo nosso punho tem um charme especial que nenhum email ou sms consegue reproduzir, muito embora a caligrafia de certas pessoas me faça duvidar que fosse boa ideia. O charme que o analógico, neste caso, tem é algo que é um verdadeiro turn on para mim.

Entristece-me que eu nunca tenha valido a pena o esforço de receber uma carta de amor assim lamechas, piegas, a vomitar amor, etc. Perdoem-me a referência algo escatológica mas foi necessário para ilustrar melhor o que quero dizer.

Há muitos meses recebi uma série de cartas escritas à mão por uma pessoa muito especial para mim. Não foram cartas de amor mas foi aquilo que de mais aproximado a isso eu já tive. Era uma série de cartas que tinha uma mensagem subjacente, mensagem essa que guardo só para mim. Acho que ela não tem muita noção da real importância que aquelas cartas tiveram para mim, o quanto significaram e significam! Aquele cuidado em escrever uma a uma, escrever a morada, colar o selo e enviar uma carta todos os dias…não encontro palavras para descrever o quão importante e precioso aquilo foi para mim.

Eu gostava de poder escrever cartas de amor. Gostava de escrever as maiores barbaridades e saber que do outro lado alguém iria gostar de receber, iria rir, chamar-me tonto mas percebendo a verdade que os meus sentimentos comportariam. Tudo isto sem recear cair no ridículo ou de desperdiçar sentimentos com alguém que apenas troçaria, iria amarrotar o papel e deitar a carta ao lixo.


As cartas de amor não saíram de moda. O papel, a escrita, o toque que o papel e que os sulcos da caneta no papel proporcionam são de um charme irresistível porque quem enviou a carta está ali.

Ainda tenho esperança de um dia receber uma. Qualquer dia ainda escrevo uma no blogue.

20 comentários:

  1. Oh eu também gostava de receber uma carta de amor... mas primeiro tenho que arranjar alguém que mo faça eheh

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  2. Eu tb gostava de receber...

    A verdade é que eu já fiz algumas! Mas para mim NADITA! :s

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    1. Eu já pensei em muitas mas nunca as escrevi, poupei papel ao menos...

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  3. PM alguém te escreveu uma carta por dia durante um período de tempo e para ti não era amor?
    Difícil de entender outra motivação que não amor para o fazerem.

    Quanto a mim só guardo uma carta, a mais inesperada, mais que recebi, foi a carta de um grande amigo, parceiro de muitas loucuras a quem batizei por outro nome que não o dele, foi com esse nome que assinou a carta.
    Quando quase 10 anos depois o reencontrei (casualmente) com esposa e um filho, logicamente com outra maturidade o tratei pelo nome ele corrigiu-me, porque para mim vai ser sempre o ****. É uma história bonita.
    Já me cruzei com pessoas que escreviam cartas dignas de ficarem para a história, hábeis com poesia, com facilidade em encantar com as palavras, a todas dei o mesmo destino, quando as relações acabam, eu acabo com o que me lembra delas.

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    1. Brenda, tu fazes uma excelente questão para a qual eu não tenho uma resposta certa. Amor tenho quase a certeza que não era. Era uma amizade muito cúmplice da qual já falei longamente noutros posts aqui do blogue mas não me deixei de interrogar como tu. Estas cartas eu guardo e estimo apesar de alguma mágoa subjacente a toda a relação que tenho com a pessoa.

      Essa da troca de nomes é uma história bonita. Faço algo parecido com uma amiga que está longe e é uma maneira de manter-mos a cumplicidade e sabermos que está tudo bem, ou não, um com o outro.

      Não sei se no teu lugar me livrava das cartas. Às vezes pode ser a maneira de te fazer sentir melhor e esquecer mais rápido mas não estarás a apagar uma experiência da tua vida? Cada sabe de si mas eu não sei se as destruía.

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    2. As experiências estão marcadas dentro de nós.

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  4. Acreditas que aquelas cartas de Amor tradicionais também não as escrevi nem as recebi . Mas nunca pensei muito nisso. O Amor aquele que quero continuar a receber de alguém que amo e que me ama e enquanto assim fôr , exige mais do que palavras que podem ser ditas, exige actos , gestos e isso é o mais importante para mim.

    No entanto confesso que gosto de receber e enviar palavras até escritas (não por carta que não é já muito usual) para amigos quando sinto que precisam de mim para levantar a moral ou superar algum momento mais complicado.Todos precisamos de alento de vez em quando, acho natural e faço e farei e receberei e darei essa cumplicidade sob a forma de amizade sempre que puder.
    Todos precisamos de apoio e nada melhor que através das palavras que escrevemos ou dizemos, não se gastam e confortam muito mesmo. No fim todos gostamos que gostem de nós e esse gostar não se esgota no Amor da nossa vida nem com ele rivaliza. São para mim coisas distintas.
    Eu pessoalmente não guardo nada do que recebo, nem envio aos amigos porque como disse são missivas de um certo tempo e lugar para ajudar e não têm outro significado para além disso.

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    1. Mas as cartas podem fazer parte desses actos e gestos de que falas. Para mim são mais uma manifestação de amor, carinho, desejo, etc. Como referi, para mim têm um charme especial :)

      Eu guardo as coisas pelas quais tenho estima e que me recordam algo de bom mesmo que exista muito mal a isso associado. Às vezes sou um bocado masoquista ao guardar algumas coisas mas há sempre um motivo para as guardar.

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  5. Também nunca recebi/escrevi cartas de amor...
    Se senti falta?... Senti!
    Mas nunca tive um amor assim... esses, que geram cartas de amor.
    É uma excelente ideia, escreve uma carta aqui no blogue, adoraria ler.
    Beijos

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    1. Lá está, falta viver esse tipo de amor. Ainda não perdi totalmente a esperança. se calhar um dia num futuro muito indefinido.
      Ainda estou na dúvida se perco algum tempo ou não a escrever a carta. Achas mesmo que deva? Vá, opinião sincera.

      bjs*

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    2. Acho que devias sim, estou a ser sincera.
      Não fales em nomes, simplesmente escreve uma carta dirigida ao amor da tua vida (quer ele exista ou não) adoraria ler...
      Quem sabe um dia destes eu farei também...:)
      Um dia de inspiração... Escreve!
      Bjs

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    3. Hummm quem sabe. Um dia destes se calhar escrevo algo. Não tenho grande jeito com as palavras mas às vezes pode sair algo decente :)

      Bj*

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  6. Nunca enviei cartas de amor.

    Já as recebi...Cartas, bilhetes no carro, música ao telefone...

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    1. Nunca retribuíste porquê? Se é que não é indiscrição é claro.

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  7. Por acaso, já recebi. E é tal e qual tu dizes. Sabe tão bem receber um pedacinho da pessoa que escreveu naquelas cartas cheias de sentimento. Ainda hoje, sinto um carinho especial por quem as escreveu.

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    1. Já percebes um pouco porque é que tenho carinho pela pessoa que me enviou aquelas cartas de que falei.

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    2. Claro que percebo! E não é só um pouco... :)

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    3. Pois, não ser pouco tem sido um bocado problemático...

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  8. Todos os meus ex-namorados (quem ler até pensa que tive um autocarro deles) eram meninos de me escrever, porque sabiam que eu gostava muito . E eu tinha tendência a fazer o mesmo para eles porque é uma forma de expressão muito natural em mim e era mais uma forma de mimar. Nem sempre era com o conceito clássico de cartas de amor, mas como um presente - num aniversário, num aniversário de namoro, num porque hoje apetece-me dizer que reparei que tens mais uma característica que me faz apaixonar por ti. Continuo a gostar. Mesmo que existam coisas que nunca mais vá ler. A palavra escrita tem um colorido especial e pode ser um bom complemento à palavra dita.

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