domingo, 28 de outubro de 2012

Paz de Outono

Houve uma altura da minha vida adulta em que eu me senti total e completamente em paz comigo próprio. Sem medos e inseguranças apesar de pequenas frustrações semelhantes às que tanta gente tem. Estava, como hoje, sozinho mas isso não me incomodava nem um bocadinho. Tinha paz de espírito.

Essa paz foi-se. Há coisas que não dependem de mim e pelas quais não consigo deixar de me culpar. Não é só a nível pessoal mas em todos os outros aspectos da minha vida.

Todas as escolhas que fiz até hoje são postas em causa por mim. Será que fiz alguma escolha correctamente? Sinceramente não sei…

A verdade é que há algumas que não me arrependo e das quais tirei grande satisfação e resultaram em boas recordações. O resultado de todas foi o mesmo e por isso me questiono: Devo ficar satisfeito ou eu podia ter feito e sido melhor?

Não dá para voltar atrás no tempo (ai se desse…) e tenho que viver com as minhas escolhas e com o seu resultado mas eu não me consigo acomodar nem encontrar muito conforto.

Ainda tenho forças para lutar mas sinto-me a enfraquecer. Não gosto do Outono. Quebra-me o espírito, verga-me à melancolia, faz doer a solidão, deixa-me mais fraco.

Não gosto do Outono…mas ao menos há castanhas.



P.S. – preciso mesmo de um cigarro e de um gin tónico!

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Ao engano

As pessoas vivem a enganarem-se a si próprias. Dizem para si próprias que são felizes, que fazem o que gostam, que amam aquela pessoa, que têm a vida que querem, que são quem querem. Muitas vezes dizem tudo isto na esperança de se convencerem de que isso realmente é verdade.

A resistência à mudança chega a ser assustadora. A preguiça também trava muita gente de dar o passo que deve e romper com algumas coisas. Há outras ainda que estão “presas” e que não podem mandar tudo para o tecto e fugir.

Eu muitas vezes não sei quem sou. Também me engano a mim próprio mas, visto ser mau mentiroso, mais cedo ou mais tarde levo com a minha própria verdade na tromba. As frustrações, tristezas e inseguranças rompem barreiras e mostram-me que estou longe, muito longe mesmo de quem quero ser, de quem poderia ser, de quem devia ser.

Não me contento com o quase nada que tenho. Não me quero acomodar porque isso não me vai chegar. Prefiro ser um miserável infeliz que continua a tentar lutar por algo melhor para si próprio do que um optimista conformado que se contenta com nada só porque tem medo de arriscar.

Acho que é preciso alguma coragem para se admitir a si próprio o que se é realmente e aquilo que se quer ser.

Eu não sei exactamente quem serei no futuro, que caminho seguirei, se o farei sozinho, para onde irei, onde irei viver, etc. O que sei é que quero o que no fundo toda a gente quer: ser feliz!

Não é pedir pouco.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Querer o proibido e o quero agora, agora não quero

Estou para perceber porque é que tanta gente que deseja alguém perde o interesse no momento em que o objecto de desejo corresponde ao interesse. Aqui se enquadram também as pessoas que só querem quem não podem ter, nomeadamente porque essas pessoas são comprometidas porque caso não fossem nem sequer olhavam para elas.

Eu decidi escrever isto porque já há anos que isto me anda na cabeça e porque recentemente li alguns posts no novo blog da Rita (se quiseres eu ponho um link para o teu blog) em que ela admite que é um bocadinho assim e também ela não percebe muito bem porque é que é assim.

Isto não é para a julgar ou dizer que ela é pior pessoa por causa disso. A sério. Isto é apenas uma opinião. Cada um é como é e eu não sou ninguém para julgar quem quer que seja. Espero que ela não me leve a mal porque isto são opiniões que tenho há muito tempo e os posts dela só mas avivaram e fizeram escrever.

A partir do momento em que uma pessoa é comprometida para mim fica automaticamente fora da ‘lista’. A pessoa até me pode atrair mas a minha maneira de ser e agir não me deixa criar nenhum interesse em especial por essa pessoa. Mas não vou ser hipócrita ao ponto de dizer que isto não possa vir a acontecer ou que eu já me tenha sentido atraído por alguém quem tinha ou tem uma relação. O que eu nunca farei em consciência é interferir de alguma forma nessa relação.

Vai para além da minha compreensão as pessoas que dizem que isto lhes dá pica. Sinceramente não acho piada nenhuma em andar a encornar alguém. Mas isto sou eu que insisto em fazer algumas coisas de uma forma minimamente correcta. Gosto daquele ditado do “não faças aos outros aquilo que não queres que te façam a ti”.

Outra questão que me causa alguma perplexidade é aquela coisa do agora quero e passado uns tempos já não querem. Nisto sou um bocado preto e branco: ou queres ou não. Eu sei que num dado momento quero um gelado de morango. Posso mais tarde comer um de chocolate mas, enquanto me satisfizer, eu vou sempre querer um gelado de morango. Às vezes quando se tem demasiada escolha as pessoas podem ficar indecisas, é humano. Mas geralmente eu sei o que quero e quem quero. Se o consigo ou não já são outros quinhentos.

domingo, 14 de outubro de 2012

Tão difícil que eu sou

Às vezes acho que sou mesmo um bocado ave rara. Não se o meu pragmatismo é uma coisa rara ou se muita gente gosta de complicar as coisas por puro desporto.

Normalmente ouço tangas do tipo: “Mas não pode ser assim tudo como tu dizes, tudo directo. Tem de haver algum jogo, tem de haver mais qualquer coisa senão não vais dar valor às coisas. Se não for difícil não vale a pena.”

Que me perdoe quem concordar mas eu acho este tipo de argumentação uma treta pegada.

Uma mulher que se faz de difícil só por desporto, só porque sim, porque tem de ser ou então os outros vão dizer que ela é fácil, para mim é um turn off. Eu perco o interesse porque não sou de andar a perseguir e insistir com as pessoas. Também não sou uma besta sem sentimentos e que não aprecia um bom jogo de sedução quando este tem um propósito e leva a algum lado.

Se uma pessoa quer e a outra quer o mesmo, para quê andar a complicar?

Eu até gosto bastante de todo o joguinho do teasing mas chega a um ponto que eu perco o interesse. Andávamos todos muito mais satisfeitos e relaxados se muita gente se deixasse de merdas e fizesse aquilo que não faz só porque “parece mal”.

domingo, 7 de outubro de 2012

Impacto nos outros

Às vezes dá-me para filosofar. Depois dizem-me que sou um gajo complicado pois dizem :P

Eu acredito que não sou um gajo complicado mas, admito, não sou o tipo mais simples e básico do mundo. Uma amiga certo dia até me disse: “Tu és estranho. Não és simples como a maioria dos rapazes.”

Eu até levei aquilo como elogio porque ela não disse aquilo de uma forma muito negativa ou necessariamente depreciativa.

No seguimento da conversa eu até disse que nem achava esse facto mau e que se ela dizia aquilo pelo facto de eu falar sobe mais coisas do que apenas gajas, carro e bola, ter opinião sobre assuntos complicados então isso até era bom porque assim uma mulher tem mais para descobrir sobre mim. Pelos vistos as mulheres não são da mesma opinião mas adiante.

Há tempos começou a remoer cá dentro qual será o impacto que eu tive até agora na vida das pessoas assumindo que tive algum.

Isto pode parecer um bocado estúpido a quem lê e se calhar algumas pessoas iriam rir se eu estivesse a dizer isto em voz alta. Às vezes penso que nem serei muito normal por me pôr a pensar nestas coisas, se calhar tenho demasiado tempo para pensar.

Isto deixa-me um bocado preocupado. Pensar que posso passar por esta vida sem ter significado nenhum para ninguém nem em nada assusta-me imenso.

Às vezes isto dá-me na altura em que faço anos mas, tendo estado recentemente no casamento de dois amigos e ver a forma como os dois se amam e como precisam um do outro, fez-me pensar se algum dia terei para alguém um décimo da importância que aqueles dois dão um ao outro.

Será que eu já tive algum gesto que tenha tido significado e importância para alguém?

Eu acredito que alguns gestos simples podem ter muito impacto e que podem atrair coisas boas. Por exemplo: quando vou a um café ou restaurante sorrio para a pessoa que me atende, digo por favor e obrigado; tiro os óculos de sol e olho a pessoa nos olhos. Acredito que este cuidado pode ter alguma importância para alguém mesmo que seja sempre ignorado. Não faço as coisas à espera que me agradeçam mas também sabia bem receber um bocadinho desta atenção que coloco nos detalhes.

Acho que não sou a única pessoa que já se interrogou de como seriam as coisas se desaparecesse. Se eu morrer amanhã o mundo não pára de girar, as pessoas não deixam de viver, os pássaros não deixam de cantar mas será que vão sentir verdadeiramente a minha falta? Será que alguém que se lembrará de mim daqui a muitos anos?

Bem, o banco e o gestor de conta de certeza que se iam lembrar de mim porque eu tenho um empréstimo por pagar. Já conta para alguma coisa :P

Mais do que existir, o que me interessa é viver e viver com significado.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Perguntas difíceis

Há tempos a amiga de amigo meu, pessoa que mal me conhece, fez-me a seguinte pergunta: “Achas que és má pessoa?”

Eu respondi: “Quero acreditar que não…”

Sinceramente não sei o que pense realmente. Surpreendeu-me a pergunta vindo dela mas já não é a primeira vez que me fazem esta pergunta. Há tempos, outra pessoa que só conheço através aqui do blog, perguntou-me o mesmo e isso fez-me pensar durante muito tempo. Será que sou assim tão terrível a falar de mim próprio? Isto de uma pessoa ser ela própria na relação com os outros é mesmo boa ideia?

Perguntas sem resposta certa mas tenho que trabalhar o marketing pessoal.