segunda-feira, 23 de julho de 2012


Tenho tido bastantes dias em que me tenho sentido particularmente só.

Para mim a solidão não é estranha. Toda a vida andei sozinho por assim dizer. Nunca tive relacionamentos longos o suficiente para me habituar a ter companhia e algumas vezes vivi sozinho ou praticamente sozinho. Habituei-me a fazer muitas coisas sozinho, a ir a sítios sozinho, a beber café sozinho, etc.

Não quer isto dizer que não tenho amigos, tenho amigos, é um facto. Estar a dizer que não tenho amigos ou que os amigos que tenho não são grande coisa seria profundamente injusto da minha parte. A verdade é que muitas vezes as nossas vidas andam desencontradas. A disponibilidade que temos uns para os outros não é muita, ou as pessoas não querem ter tempo…também é uma hipóteses a considerar. A minha vida de nómada é capaz de também não ter ajudado e não ajudar.

Os períodos em que estou de volta à terra natal são os mais críticos. O facto de estar mais frágil, emocionalmente falando, também não ajuda nada. As coisas batem com muito mais força e deixam mais marcas.

A solidão tem-me incomodado bastante.

Ontem saí para ir tomar um café. Fui sozinho. No caminho de casa, vinha distraído a conduzir quando me lembrei de um episódio simples mas que ilustra bem o que sinto.

Há uns 3 anos atrás estava a viver a um par de horas de avião de Portugal fruto de uma das minhas loucuras. Fui trabalhar para um país que não conhecia, onde não tinha amigos nem conhecidos. Fui sozinho.

Tive a sorte de fazer um bom grupo de amigos e de ter uns colegas de casa espectaculares de quem tenho imensas saudades mas mesmo assim havia dias em que me sentia só e vazio.

Um Domingo à noite quente de Verão saí de casa, comprei cigarros e fui beber um café a uma esplanada lá perto. Sentia-me estranho, muito inquieto como se tivesse perdido alguma coisa. Bebi o café, fumei o cigarro e voltei para casa. Mas não estava bem.

Cheguei a casa e fui para a janela da sala. Meio a tremer puxei de outro cigarro. Um dos meus colegas de casa apareceu naquele instante.

Ele: “Então meu caro, onde é que andavas? Até estava a achar estranho, cheguei a casa e não te vi por aqui.”
Eu: “Fui comprar tabaco e fui ali acima beber um café e fumar.”
Ele: “Sozinho?”
Eu: “Sim…não estava mais ninguém em casa e…tinha de ir apanhar ar e espairecer um bocado.”
Ele: “Ok…podias ter ligado que eu ainda ia ter contigo. Mas olha lá, o que é que tens? Passa-se alguma coisa contigo? Tu nem sequer costumas fumar…”
Eu (já com voz embargada): “Olha…sinto-me só.”

Ele chegou-se ao pé de mim e, como é mais alto que eu, meteu-me debaixo do braço dele e dando-me dois ou três apertões numa espécie de abraço fraterno disse: “ Então meu?! O que é isso agora? Não estamos aqui para ti? Todos temos saudades de casa, não sei se é isso, mas sabes que não estás sozinho e que me tens a mim e à outra malta. Quando estiveres assim ligas e vamos todos beber um copo.”

Aquele gesto tocou-me. Senti que estava a injustiçar um bocado o grupo de pessoas que me rodeava porque afinal estávamos todos no mesmo barco. Mas a solidão e o vazio naquele dia bateram muito forte.

Hoje a solidão e o vazio também bateram muito forte.

Hoje eu só queria que ela quisesse estar comigo. Não precisava de dizer nada. Só estar ao meu lado.

14 comentários:

  1. Percebo-te...
    Tenho grandes amigos na minha vida, amigos esses que estão sempre para mim sejam a que horas forem. Mas por vezes penso: "Não me apetece estar a chateá-los com isto..." E guardo para mim... Nesses momentos sinto-me só, mas também tenho noção que foi pq eu quis que assim fosse...
    Quando me sinto só é naqueles momentos que penso no passado e que me dá uma enorme saudade de ter alguém do meu lado, alguém que me perceba na totalidade. É nesse sentido que me sinto só... Tenho necessidade de me sentir completa no campo amoroso, caso contrário a solidão persegue-me...

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    1. Pois...é também isso que isso que sinto. Mas já estou tão acostumado que acho que os sentimentos vão ficando reduzidos a um estado de dormência.

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  2. Fiquei comovida com o post. E como acho que não tenho nada útil para dizer, desejo-te a maior das forças. :)

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    1. São momentos que não se podem evitar, tenta é compensar com outros para equilibrar.
      Como vai o exercicio?

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    2. Eu vou tentando fintar estas coisas que de vez em quando me dão.

      O exercício vai indo devagarinho :P Já estive mais "inchado" do que estou, acho que não estou mal der todo :P

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  4. Eu agora fazia.te rir por causa do exercio mas ia passar por burra...

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    1. Oh, diz lá! Fiquei curioso e ninguém te vai julgar :P

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    2. Vi o teu comentario quando estava a acabar de tomar consciência das minhas más decisões.
      A versão resumida para não te rires muito. Decidi usar a bicicleta nova para fazer um bocadinho de exercicio na marginal, não cheguei a tirar a dita de casa, não cabe no carro.
      A bicicleta é dobravel já para caber no meu enorme carro...
      Tudo se resolveu em bem, para compensar a falta da bicicleta fui fazer exercicio comendo gelado swirl, pipocas e percorrendo o longo corredor do cinema para assistir a um filme. :)

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    3. O que eu gosto desse tipo de exercício! :P

      Ainda o pratiquei na semana passada, sabe bem e os sentimentos de culpa ficam para depois. Já me bastam os 3km diárias de caminhada a que eu tenho andado a falhar.

      Mas a partir de agora quando meteres a bicicleta no carro vais mesmo andar de bicicleta, ou então andas de bicicleta perto do cinema :)

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    4. Não percebeste a minha burrice.
      A bicicleta não cabe no carro, quando a comprei veio num ML até cabia aberta, no meu carro não cabe nem à força, dai a alteração de programa. :)

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    5. Ahhhhhhh bom! Agora está explicado :) Assim fica mais complicado realmente.

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