Um cigarro bem fumado às vezes faz-me maravilhas aos nervos.
Eu tenho medo de me viciar no que quer que seja, tenho medo de ser mesmo propenso à adição e gostar tanto que fique viciado. Já falei disso no post sobre o álcool. Por isso o tabaco é só um vício ocasional. Posso ficar meses sem fumar mas a verdade é que não tenho querido ficar. Podem passar semanas mas às vezes um cigarro sabe-me tão bem.
Muitos cigarros foram fumados a pensar nela, por causa dela mas nunca com ela. Nunca fumei junto dela porque ela era o meu vício na altura e eu não a queria beijar com o sabor a tabaco na boca. Soa a e é um cliché, temos pena mas é mesmo assim. Ela ficou sempre com um ar perplexo da meia dúzia de vezes que lhe disse que era viciado nela. Viciado na pessoa, no corpo, no cheiro, no sorriso, nos olhos, na boca, no sexo com ela.
Ela perguntava porquê. Porque é que eu era viciado nela e porque é que eu queria estar tanto com ela. Eu nunca pude dizer abertamente que era porque eram momentos maravilhosos em que eu me sentia tão bem, tão completo que acho que podia morrer naquele momento porque morreria feliz.
Da última vez que a vi e falei com ela estávamos no meio de muita gente. Eu sabia que ela ia lá estar e fumei cigarro atrás de cigarro. Percebi o estado em que fica um fumador regular quando está a precisar desesperadamente de um cigarro. O cigarro era a minha máscara do nervosismo, o escape para a tensão que se acumulava. Nunca fumei tanto em tão pouco tempo.
A verdade é que este momento da minha vida não é o melhor e não é só ao nível pessoal. Há mais coisas que me inquietam o espírito e me tiram a tranquilidade e a paz de espírito. Um cigarro às vezes faz-me companhia, acalma-me.
Era engraçado como este Inverno, sozinho, longe do país, da família e amigos, um cigarro me fazia companhia e me dava conforto. Por estranho que pareça tenho saudades desses dias.
E com esta conversa toda apetece-me um cigarro….e um whisky.
sexta-feira, 29 de junho de 2012
terça-feira, 26 de junho de 2012
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Desistir
Eu sempre me considerei um tipo de compromissos. Quando me
comprometo com algo ou alguém tenho alguma dificuldade em não honrar esse
compromisso.
Os trabalhos da universidade, os contratos de trabalho, o
jantar que marquei com alguém, etc. Tudo compromissos que sempre fiz questão de
levar até ao seu termo. Se não levei até ao fim foi mesmo porque não pude e/ou
algo me impediu. Nunca fui de desistir, muito menos das pessoas.
Eu nunca abandonei ninguém, nunca deixei ninguém. Fui eu
sempre a ser deixado por amigos/as e pelas mulheres (poucas) que passaram pela
minha vida…é um bocado doloroso admitir isto e tentar aceitar.
Será que não valho mesmo a pena o esforço e por isso
desistam de mim?! Já dei mil voltas à cabeça e nunca chego a uma conclusão.
É muito fácil as pessoas darem-se bem comigo mas, admito,
pode ser complicado as pessoas tornarem-se verdadeiramente minhas amigas na
medida em que eu espero das pessoas tanto como eu me disponho a dar-me a
elas.
Eu nunca desisti verdadeiramente de ninguém. Nunca desisti
de ninguém me quisesse na sua vida. Nunca desisti de ninguém que amasse
verdadeiramente. Apenas me desliguei das pessoas quando, como li algures, fui
invadido pelo ‘desamor’ e desapego que “varreu” essa pessoa do meu coração.
Eu queria-a na minha vida, nem que seja única e
exclusivamente como a amiga que ela já foi. Sei bem que iria sempre alimentar a
esperança de a ter nos meus braços e me entregar de corpo e alma a ela nem que
fosse por um par de horas. Eu queria-a na minha vida mesmo que isso me
torturasse por não lhe poder tocar e amar como quero. Um sorriso sincero dela
faz-me feliz, faz-me ser um homem melhor.
Eu queria que ela me quisesse na vida dela mas ela já demonstrou que não quer.
Eu tentei. Esforcei-me. Falei. Escrevi. Sinto-me ignorado e
usado.
A pessoa maravilhosa, perspicaz, inteligente, apaixonada e
linda que eu conheci e por quem lutei pelos vistos não assim tão real. Sinto-me
sem forças, sem auto-estima e farto de lutar.
Ainda não sei se vou conseguir, mas eu vou tentar desistir
de ti e apagar-te da minha vida e do meu coração.
terça-feira, 5 de junho de 2012
Dar
Eu gostava de um dia me poder dar
totalmente a alguém.
Alguém que realmente me quisesse.
Alguém que pensasse em mim quando se fosse deitar e que fosse a primeira coisa
em que pensasse quando acordasse.
Eu queria dar-me a uma mulher que
me tivesse no pensamento e que me quisesse junto a si todos os dias. Uma mulher
que começasse a sentir a minha falta mal eu saísse de junto dela. Uma mulher que
se chateasse comigo porque eu não a tinha beijado com a mesma paixão da noite
anterior. Uma mulher que fizesse uma cena de ciúmes porque a paixão a cegou
naquele momento. Uma mulher que num momento de prazer me cravasse as unhas nas
costas e me susurrasse ao ouvido “És meu!”
Eu gostava de sentir que era tão
essencial para a sua vida como a água que bebe todos os dias. Eu queria que
fizesse uma loucura por mim, queria sentir-me genuinamente merecedor de um acto
arrojado e pouco racional.
Eu queria ser o objecto de desejo
e luxúria de alguém que visse em mim a sua fonte de prazer.
Eu queria ter a responsabilidade
de não poder partir o coração dela porque ela tinha depositado em mim a
confiança suprema de me dar o seu coração…
Eu queria dar-me a alguém que
tivesse orgulho em ter-me como seu!
Amizade descartável
Eu não exigo a ninguém que goste
de mim. Não o faço nem seria lógico ou racional exigir, que direito tenho eu
disso?!
Nenhum! Ninguém tem.
Mas acho que não é despropositado
pedir um bocado de respeito e consideração. Se calhar isto é pedir muito,
talvez…já não sei bem o que pensar.
Não acho bem entrar-se na vida de
alguém, instalar-se bem instalado, usufruir de tudo o que a pessoa lhe pode
oferecer e, quando já não interessa ou se tem outras pessoas mais interessantes
com quem passar o tempo, chutar as pessoas para canto e como que abandoná-las.
Não acho bem que que se arrangem
desculpas para evitar alguém só porque a dado momento já não dá jeito, já não
tem tanto interesse, já não serve para amigo.
Não acho bem que se use e abuse
dos sentimentos, tempo e desejos de alguém para insuflar o ego e depois se
abandone a pessoa.
Não me importa que me usem
enquanto homem, que uma mulher queira usar o meu corpo para o seu próprio
prazer, o que me importa é que me usem enquanto amigo. Isso dói-me muito porque é uma espécie de
traição que me corrói por dentro.
Há uma pessoa que devia perceber
que não de pode demitir completamente do papel de amiga numa altura em que
alguém que contava com ela mais precisava. Devia ouvir uma música já algo
antiga dos Texas que diz algo como isto: “I don’t want a lover, I just need a
friend […]”
sexta-feira, 1 de junho de 2012
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