sexta-feira, 29 de junho de 2012

Cigarro

Um cigarro bem fumado às vezes faz-me maravilhas aos nervos.

Eu tenho medo de me viciar no que quer que seja, tenho medo de ser mesmo propenso à adição e gostar tanto que fique viciado. Já falei disso no post sobre o álcool. Por isso o tabaco é só um vício ocasional. Posso ficar meses sem fumar mas a verdade é que não tenho querido ficar. Podem passar semanas mas às vezes um cigarro sabe-me tão bem.

Muitos cigarros foram fumados a pensar nela, por causa dela mas nunca com ela. Nunca fumei junto dela porque ela era o meu vício na altura e eu não a queria beijar com o sabor a tabaco na boca. Soa a e é um cliché, temos pena mas é mesmo assim. Ela ficou sempre com um ar perplexo da meia dúzia de vezes que lhe disse que era viciado nela. Viciado na pessoa, no corpo, no cheiro, no sorriso, nos olhos, na boca, no sexo com ela.

Ela perguntava porquê. Porque é que eu era viciado nela e porque é que eu queria estar tanto com ela. Eu nunca pude dizer abertamente que era porque eram momentos maravilhosos em que eu me sentia tão bem, tão completo que acho que podia morrer naquele momento porque morreria feliz.

Da última vez que a vi e falei com ela estávamos no meio de muita gente. Eu sabia que ela ia lá estar e fumei cigarro atrás de cigarro. Percebi o estado em que fica um fumador regular quando está a precisar desesperadamente de um cigarro. O cigarro era a minha máscara do nervosismo, o escape para a tensão que se acumulava. Nunca fumei tanto em tão pouco tempo.

A verdade é que este momento da minha vida não é o melhor e não é só ao nível pessoal. Há mais coisas que me inquietam o espírito e me tiram a tranquilidade e a paz de espírito. Um cigarro às vezes faz-me companhia, acalma-me.

Era engraçado como este Inverno, sozinho, longe do país, da família e amigos, um cigarro me fazia companhia e me dava conforto. Por estranho que pareça tenho saudades desses dias.

E com esta conversa toda apetece-me um cigarro….e um whisky.

terça-feira, 26 de junho de 2012

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Desistir

Eu sempre me considerei um tipo de compromissos. Quando me comprometo com algo ou alguém tenho alguma dificuldade em não honrar esse compromisso.

Os trabalhos da universidade, os contratos de trabalho, o jantar que marquei com alguém, etc. Tudo compromissos que sempre fiz questão de levar até ao seu termo. Se não levei até ao fim foi mesmo porque não pude e/ou algo me impediu. Nunca fui de desistir, muito menos das pessoas.

Eu nunca abandonei ninguém, nunca deixei ninguém. Fui eu sempre a ser deixado por amigos/as e pelas mulheres (poucas) que passaram pela minha vida…é um bocado doloroso admitir isto e tentar aceitar.

Será que não valho mesmo a pena o esforço e por isso desistam de mim?! Já dei mil voltas à cabeça e nunca chego a uma conclusão.

É muito fácil as pessoas darem-se bem comigo mas, admito, pode ser complicado as pessoas tornarem-se verdadeiramente minhas amigas na medida em que eu espero das pessoas tanto como eu me disponho a dar-me a elas.

Eu nunca desisti verdadeiramente de ninguém. Nunca desisti de ninguém me quisesse na sua vida. Nunca desisti de ninguém que amasse verdadeiramente. Apenas me desliguei das pessoas quando, como li algures, fui invadido pelo ‘desamor’ e desapego que “varreu” essa pessoa do meu coração.

Eu queria-a na minha vida, nem que seja única e exclusivamente como a amiga que ela já foi. Sei bem que iria sempre alimentar a esperança de a ter nos meus braços e me entregar de corpo e alma a ela nem que fosse por um par de horas. Eu queria-a na minha vida mesmo que isso me torturasse por não lhe poder tocar e amar como quero. Um sorriso sincero dela faz-me feliz, faz-me ser um homem melhor. 

Eu queria que ela me quisesse na vida dela mas ela já demonstrou que não quer.
Eu tentei. Esforcei-me. Falei. Escrevi. Sinto-me ignorado e usado.

A pessoa maravilhosa, perspicaz, inteligente, apaixonada e linda que eu conheci e por quem lutei pelos vistos não assim tão real. Sinto-me sem forças, sem auto-estima e farto de lutar.

Ainda não sei se vou conseguir, mas eu vou tentar desistir de ti e apagar-te da minha vida e do meu coração.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Dar


Eu gostava de um dia me poder dar totalmente a alguém.

Alguém que realmente me quisesse. Alguém que pensasse em mim quando se fosse deitar e que fosse a primeira coisa em que pensasse quando acordasse.

Eu queria dar-me a uma mulher que me tivesse no pensamento e que me quisesse junto a si todos os dias. Uma mulher que começasse a sentir a minha falta mal eu saísse de junto dela. Uma mulher que se chateasse comigo porque eu não a tinha beijado com a mesma paixão da noite anterior. Uma mulher que fizesse uma cena de ciúmes porque a paixão a cegou naquele momento. Uma mulher que num momento de prazer me cravasse as unhas nas costas e me susurrasse ao ouvido “És meu!”

Eu gostava de sentir que era tão essencial para a sua vida como a água que bebe todos os dias. Eu queria que fizesse uma loucura por mim, queria sentir-me genuinamente merecedor de um acto arrojado e pouco racional.

Eu queria ser o objecto de desejo e luxúria de alguém que visse em mim a sua fonte de prazer.

Eu queria ter a responsabilidade de não poder partir o coração dela porque ela tinha depositado em mim a confiança suprema de me dar o seu coração…

Eu queria dar-me a alguém que tivesse orgulho em ter-me como seu!

Amizade descartável


Eu não exigo a ninguém que goste de mim. Não o faço nem seria lógico ou racional exigir, que direito tenho eu disso?!

Nenhum! Ninguém tem.

Mas acho que não é despropositado pedir um bocado de respeito e consideração. Se calhar isto é pedir muito, talvez…já não sei bem o que pensar.
Não acho bem entrar-se na vida de alguém, instalar-se bem instalado, usufruir de tudo o que a pessoa lhe pode oferecer e, quando já não interessa ou se tem outras pessoas mais interessantes com quem passar o tempo, chutar as pessoas para canto e como que abandoná-las.

Não acho bem que que se arrangem desculpas para evitar alguém só porque a dado momento já não dá jeito, já não tem tanto interesse, já não serve para amigo.

Não acho bem que se use e abuse dos sentimentos, tempo e desejos de alguém para insuflar o ego e depois se abandone a pessoa.

Não me importa que me usem enquanto homem, que uma mulher queira usar o meu corpo para o seu próprio prazer, o que me importa é que me usem enquanto amigo.  Isso dói-me muito porque é uma espécie de traição que me corrói por dentro.

Há uma pessoa que devia perceber que não de pode demitir completamente do papel de amiga numa altura em que alguém que contava com ela mais precisava. Devia ouvir uma música já algo antiga dos Texas que diz algo como isto: “I don’t want a lover, I just need a friend […]”