quinta-feira, 24 de maio de 2012

Álcool


Durante quase toda a minha vida achei fracos aqueles que procuram nas drogas um escape para os problemas e um alívio para as suas dores. Nunca consegui perceber bem essas pessoas porque não percebia como é que algo que nos faz perder o discernimento e o autocontrole  há-de ajudar a aliviar o que quer que seja.

A ideia de beber para esquecer também me era algo estranha porque na ressaca de cada grande bebedeira que apanhei nunca tive lapsos de memória.  Mas eu estava a pensar no assunto pela perspectiva errada.

Ao recorrer às drogas, o alcool também é uma droga, procura-se o alívio da dor. O alívio da dor de uma perda, de uma desilusão, de um coração partido.
A dormência que se instala em mim depois de uma bebida bem forte ajuda-me a dormir. Ajuda-me a esquecer que me sinto partido por dentro o tempo suficiente até adormecer. Ajuda-me a combater alguma da solidão porque bebo sozinho.

Bebo sozinho por vergonha e porque não ia ser compreendido.  Bebo só um copo. Só um. Bebo por gosto e por desgosto.

Nunca antes na vida tinha pensado em usar alguma “anestesia” para acalmar um desamor. Mas também nunca antes tinha encontrado um amor destes.  Amores não correspondidos é tudo o que tive na vida mas este é diferente. Dói de maneira diferente.

Agora também eu me sinto um fraco. Um fraco que ama e não é amado, um fraco que ainda tem alguma esperança de ser recompensado pela vida e de um dia ser feliz ao lado de alguém.

A solidão não me assusta porque sempre foi a minha única companhia mas…às vezes penso: eu gostava de ter a experiência de não estar só, só para saber como é e se é tão bom como dizem!

A dor há-de passar, as feridas hão-de cicatrizar com o tempo. Entretanto vou adormecendo a dor e desinfectando as feridas com um pouco de alcool mas tenho medo.  Medo de quanto tempo vai demorar e de entrar por caminhos para os quais não sei a saída…

Ergo o meu copo, saúde!

6 comentários:

  1. Não gostei de ler, não era para comentar, parece algo escrito num diario privado, mas se está publicado...
    Fiquei indecisa, lamento e vou ser desagradável.
    Se afogas as magoas num copo, cada vez terás mais magoas para afogar, as que tens inicialmente e as que o alcool vai despoletando.
    Se estás mal de amores e a "menina" não te vê com os mesmos olhos que tu a vês, certamente não é enterrando-te que ela algum dia o fará. Pelo contrário se o caminho for por aí, certamente só reforçarás a sua decisão.
    Luta por ela, ou e mais importante luta por ti e pode ser que ela esteja no teu caminho.

    Agora sim e não para afogares magoas, mas porque um copo deve ser bebido em partilha, ergo o copo ao teu futuro, à tua felicidade.

    ResponderEliminar
  2. Brenda, obrigado pelo teu comentário.
    Realmente quase parece um diário se bem que o objectivo não era bem esse. Está publicado, acessível a toda a gente e por isso qualquer um pode comentar.

    A tua opinião é tão válida como qualquer outra e não fico nada chateado com o que disseste. O que escrevi foi um desabafo de um momento mais crítico por assim dizer.
    Eu concordo quando dizes que beber não é solução para cada vez que tenho uma mágoa e é por isso que me tenho controlado porque como diz o povo: se não morre do mal morre da cura.
    Tens razão quando dizes que não me vê com os mesmos olhos. Quase de certeza que nunca verá e por isso só me resta a solução de sempre: esquecer e lutar por mim, mas às vezes é tão difícil...

    Obrigado pelas tuas palavras ;)

    ResponderEliminar
  3. Fiquei preocupada, desculpa a agressividade do discurso. É fácil quem está de fora dar soluções.

    ResponderEliminar
  4. Não te preocupes, às vezes é preciso ouvir/ler algumas coisas.

    Até é bom poder comentar isto com outra pessoa.

    ResponderEliminar
  5. Não há post`s novos, esperava ler-te...

    ResponderEliminar
  6. Tenho andado a pensar no que escrever, tenho ideias um pouco difusas que tenho que organizar. Talvez amanhã tenha um texto.

    ResponderEliminar